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Púlpito e Prática: O Custo da Incoerência - Por: Presbítero Marcos Benedito - 29/11/2026 - Rede Gospel Oficial

Uma das maiores crises enfrentadas pela igreja contemporânea não está fora dela, mas dentro dos próprios púlpitos. O problema não é apenas o erro doutrinário, mas a incoerência consciente: ensina-se algo publicamente e pratica-se outra coisa silenciosamente.

Isso levanta uma pergunta que não pode mais ser ignorada:

Essa contradição acontece por ignorância, por interesses pessoais ou por má fé?

O abismo entre o púlpito e a prática

O púlpito deveria ser lugar de verdade, temor e responsabilidade espiritual. Porém, em muitos contextos, ele se tornou um espaço de conveniência teológica.

Um exemplo concreto e recorrente:

  • Na prática diária, lideranças agem como se tudo estivesse determinado, imutável e inquestionável — um calvinismo funcional, onde:

    • Pessoas são descartadas;
    • Não há esforço real para restauração;
    • A queda do irmão é tratada como “vontade de Deus”;
    • Falta pastoreio, cuidado e acompanhamento.
  • No púlpito, porém, o discurso muda:

    • Pregam-se escolhas;
    • Fala-se de decisão pessoal;
    • Apela-se ao livre-arbítrio;
    • Convoca-se o povo à responsabilidade espiritual — um arminianismo estratégico, usado para não esvaziar bancos nem ofertas.

Ou seja:

Vive-se um sistema teológico e prega-se outro.

Isso não é zelo pastoral.
Isso é adaptação para conveniência.


O que a Bíblia chama isso? Hipocrisia

Jesus foi extremamente duro com esse tipo de postura:

“Na cadeira de Moisés estão assentados os escribas e fariseus… fazei o que eles dizem, mas não façais o que eles fazem, porque dizem e não fazem.”
(Mateus 23:2-3)

O problema denunciado por Cristo não era falta de conhecimento bíblico, mas uso seletivo da verdade para manter poder, status e controle.

“Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.”
(Mateus 15:8)


Ignorância, interesse ou má fé?

1. Ignorância teológica?

Em alguns casos, sim.
Há líderes que repetem sistemas teológicos sem compreendê-los profundamente. Absorvem discursos prontos, modismos doutrinários e frases de efeito, sem perceber as contradições práticas de seus atos.

“O meu povo foi destruído por falta de conhecimento.”
(Oséias 4:6)

Mas essa explicação não se sustenta por muito tempo.


2. Interesses pessoais e institucionais

Aqui o problema se agrava.

  • Manter pessoas na igreja;
  • Preservar dízimos e ofertas;
  • Evitar confrontos;
  • Proteger a própria imagem.

A verdade passa a ser administrada, não proclamada.

“Pois virá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças.”
(2 Timóteo 4:3)

Quando o púlpito é moldado pelo que o povo quer ouvir, e não pelo que precisa ouvir, a igreja deixa de ser coluna da verdade e se torna empresa religiosa.


3. Má fé espiritual (quando se sabe o que faz)

Este é o ponto mais grave.

Quando se entende a incoerência, mas mesmo assim se insiste nela, entra-se num território perigoso:

  • Usa-se a Bíblia como ferramenta de manipulação;
  • Adapta-se a teologia como marketing;
  • Finge-se convicção que não se vive.

“Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto!”
(Jeremias 23:1)

“Porque muitos enganam, especialmente os da circuncisão… é necessário fazê-los calar.”
(Tito 1:10-11)


Jesus não negociou a verdade para manter multidões

Quando as palavras de Jesus começaram a confrontar interesses, muitos foram embora:

“Desde então muitos dos seus discípulos voltaram atrás e não andavam mais com ele.”
(João 6:66)

E Jesus não correu atrás para adaptar o discurso.

Pelo contrário:

“Quereis vós também retirar-vos?”
(João 6:67)

Isso é autoridade espiritual verdadeira.


Conclusão – A denúncia que precisa continuar

O que a Rede Gospel Oficial vem denunciando não é irrelevante nem exagerado. É necessário, bíblico e urgente.

  • Deus não se agrada de púlpitos estrategicamente ambíguos;
  • Não se pode viver um sistema e pregar outro;
  • Não existe fidelidade parcial à verdade.

“Antes, rejeitamos as coisas ocultas da vergonha, não andando com astúcia, nem falsificando a palavra de Deus.”
(2 Coríntios 4:2)

A igreja não precisa de discursos adaptáveis.
Precisa de homens e mulheres com temor, coerência e compromisso com a verdade — no púlpito e fora dele.

A verdade pode afastar alguns, mas liberta muitos.

“Conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará.”
(João 8:32)

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