“Meus irmãos, não tenhais a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas.”
(Tiago 2:1)
A Igreja de Cristo foi concebida para ser corpo, família e abrigo. No entanto, ao longo dos anos, muitas comunidades têm sido contaminadas por práticas que nada têm a ver com o Evangelho: panelinhas, favoritismo, política de exclusão, manipulação emocional, valorização seletiva de pessoas e descarte silencioso daqueles que já não são considerados “úteis”.
Essas atitudes não são apenas erros administrativos. Biblicamente falando, são pecados espirituais graves, porque atingem diretamente vidas, vocações e chamados.
1. Acepção de pessoas é pecado declarado
A Palavra é clara e direta:
“Porque Deus não faz acepção de pessoas.”
(Romanos 2:11)
“Mas, se fazeis acepção de pessoas, cometeis pecado.”
(Tiago 2:9)
Quando líderes passam a investir apenas nos chamados “de confiança”, promovendo alguns enquanto desvalorizam outros — inclusive membros antigos, fiéis e trabalhadores — isso não é estratégia ministerial: é transgressão bíblica.
Jesus nunca trabalhou com castas espirituais. Ele chamou pescadores, publicanos, mulheres marginalizadas, leprosos rejeitados e pecadores públicos. O Reino sempre foi inclusivo, restaurador e transformador.
A preferência pessoal mata a comunhão.
2. Panelinhas produzem divisão, não edificação
Paulo já combatia esse espírito na igreja primitiva:
“Rogo-vos… que não haja entre vós divisões.”
(1 Coríntios 1:10)
“Cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, eu de Apolo…”
(1 Coríntios 1:12)
Hoje, isso se manifesta em grupos fechados, círculos de influência e alianças internas que controlam decisões, ministérios e oportunidades.
Onde há panelinha, não há corpo.
Onde há favoritismo, não há unidade.
Onde há política interna, o Espírito Santo é entristecido.
3. Retirar pessoas do púlpito sem restauração é ferir o Corpo
O púlpito não é troféu de fidelidade pessoal ao líder. É lugar de serviço ao Reino.
Quando alguém é afastado, silenciado ou descartado sem acompanhamento pastoral, sem diálogo, sem restauração e sem amor, isso gera feridas profundas.
Jesus ensina outro caminho:
“Se teu irmão pecar contra ti, vai arguí-lo entre ti e ele só.”
(Mateus 18:15)
O processo bíblico é: correção, cuidado, restauração — nunca exposição, exclusão ou abandono.
Paulo reforça:
“Vós, que sois espirituais, restaurai o tal com espírito de mansidão.”
(Gálatas 6:1)
Afastar sem restaurar é amputar membros do Corpo.
4. Decidir tudo sozinho não é modelo bíblico
A centralização de poder não vem de Deus.
Na igreja primitiva, as decisões eram compartilhadas:
“Pareceu bem ao Espírito Santo e a nós…”
(Atos 15:28)
Observe: “ao Espírito Santo e a nós”, não apenas ao líder.
Moisés quase entrou em colapso por tentar resolver tudo sozinho, até ser advertido:
“Não é bom o que fazes.”
(Êxodo 18:17)
A ausência de prestação de contas, de diálogo com a igreja e de transparência não é autoridade espiritual — é isolamento perigoso.
“Na multidão de conselheiros há segurança.”
(Provérbios 11:14)
5. Quantos foram mortos espiritualmente nesses 20 anos?
Aqui entramos em um ponto gravíssimo.
Quantas pessoas foram feridas?
Quantas foram excluídas com o rótulo frio de “final de ciclo”?
Quantas perderam a alegria da salvação?
Quantas se afastaram da igreja?
Quantas se decepcionaram com líderes, com instituições e até com Deus?
Isso é o que chamamos, biblicamente, de assassinato espiritual.
Jesus foi duríssimo com quem causa esse tipo de dano:
“Qualquer que escandalizar um destes pequeninos… melhor lhe fora que se lhe pendurasse ao pescoço uma pedra de moinho.”
(Mateus 18:6)
E também:
“Ai dos pastores que destroem e dispersam as ovelhas do meu pasto!”
(Jeremias 23:1)
Quando uma liderança:
manipula pessoas
usa critérios pessoais para valorizar ou descartar
governa sem transparência
exclui sem restaurar
decide sem prestar contas
ela não está apascentando — está dispersando.
6. Jesus veio para dar vida, não para produzir descartáveis
Cristo declarou:
“Eu vim para que tenham vida, e a tenham em abundância.”
(João 10:10)
O bom Pastor cuida da ovelha ferida.
O mercenário se livra dela.
“O mercenário foge, porque não tem cuidado das ovelhas.”
(João 10:13)
A igreja não é empresa.
Membros não são peças substituíveis.
Pessoas não são investimentos estratégicos.
São almas.
7. Deus cobrará cada vida ferida
A Palavra é solene:
“Obedecei aos vossos líderes… porque velam por vossas almas, como quem há de prestar contas.”
(Hebreus 13:17)
Todos os líderes prestarão contas.
Cada exclusão injusta.
Cada abandono pastoral.
Cada manipulação emocional.
Cada vocação sufocada.
Nada passa despercebido diante de Deus.
✝️ Conclusão
A Igreja precisa urgentemente voltar ao modelo de Cristo:
Sem acepção de pessoas
Sem panelinhas
Sem jogos de poder
Com transparência
Com prestação de contas
Com restauração
Com amor genuíno pelas almas
Porque o Reino não se constrói descartando pessoas —
se constrói curando, restaurando e caminhando juntos.
“Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos: se vos amardes uns aos outros.”
(João 13:35)

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