Pular para o conteúdo principal

Pregando Inverdades - Presbítero Marcos Benedito


Nos últimos anos, tem se tornado cada vez mais comum ouvir, em muitos púlpitos, a afirmação de que aceitar Jesus é exatamente o mesmo que ser batizado no Espírito Santo. À primeira vista, essa ideia parece simples, prática e até confortável. Porém, quando confrontada com as Escrituras, revela-se uma perigosa distorção doutrinária.

A Bíblia mostra claramente que conversão e batismo no Espírito Santo são experiências distintas, complementares, mas não idênticas. Confundir essas duas verdades compromete o crescimento espiritual do crente e enfraquece o poder da Igreja.

1. O Novo Nascimento e o Revestimento de Poder

Aceitar Jesus é o início da caminhada cristã. É o novo nascimento.

Jesus declarou:

“Na verdade, na verdade te digo que aquele que não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus.”

(João 3:5)

Paulo afirma:

“Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dentre os mortos, serás salvo.”

(Romanos 10:9)

Isso trata da salvação.

Já o batismo no Espírito Santo trata de poder espiritual.

O próprio Jesus fez essa distinção ao falar com discípulos que já criam n’Ele:

“João, na verdade, batizou com água, mas vós sereis batizados com o Espírito Santo, não muito depois destes dias.”

(Atos 1:5)

E completa:

“Mas recebereis poder ao descer sobre vós o Espírito Santo, e ser-me-eis testemunhas…”

(Atos 1:8)

Eles já eram salvos.

Já andavam com Jesus.

Já pregavam.

Mesmo assim, precisavam do Espírito Santo.

2. Os Discípulos: Convertidos, mas Ainda Não Revestidos

Em João 20:22, Jesus sopra sobre os discípulos e diz:

“Recebei o Espírito Santo.”

Ali ocorre uma experiência de vida espiritual, relacionada ao novo nascimento.

Mas, dias depois, o mesmo Jesus ordena:

“Ficai, porém, na cidade de Jerusalém, até que do alto sejais revestidos de poder.”

(Lucas 24:49)

Se tudo já estivesse completo, por que esperar?

Porque existe diferença entre ter vida espiritual e ser revestido de poder espiritual.

3. Exemplos Claros em Atos dos Apóstolos

🔹 Os Samaritanos

Eles creram, foram batizados em água, mas ainda não haviam recebido o Espírito Santo:

“Porque sobre nenhum deles tinha ainda descido; mas somente eram batizados em nome do Senhor Jesus.”

(Atos 8:16)

Pedro e João impuseram as mãos, e então receberam o Espírito Santo.

Conversão primeiro.

Batismo no Espírito depois.

🔹 Paulo em Damasco

Paulo teve um encontro direto com Jesus na estrada (Atos 9).

Mesmo assim, só foi cheio do Espírito quando Ananias impôs as mãos:

“Saulo, irmão, o Senhor Jesus… me enviou para que recuperes a vista e fiques cheio do Espírito Santo.”

(Atos 9:17)

🔹 Os Doze de Éfeso

Em Atos 19, Paulo encontra discípulos e pergunta:

“Recebestes vós já o Espírito Santo quando crestes?”

(Atos 19:2)

A própria pergunta de Paulo prova que uma coisa não é automaticamente a outra.

4. Por Que Alguns Líderes Insistem em Igualar as Duas Experiências?

▪ Para não confrontar a ausência de poder espiritual

Uma igreja sem Espírito Santo torna-se apenas religiosa.

Paulo alerta:

“Tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder.”

(2 Timóteo 3:5)

▪ Para manter membros dependentes da liderança

O Espírito Santo capacita cada crente.

Ele distribui dons.

Ele gera ousadia.

Sem isso, o povo fica passivo.

“A cada um é dada a manifestação do Espírito para o que for útil.”

(1 Coríntios 12:7)

▪ Para evitar manifestações espirituais que fogem do controle humano

Onde o Espírito Santo governa, não há monopólio espiritual.

Pedro declara:

“Nos últimos dias… derramarei do meu Espírito sobre toda carne.”

(Atos 2:17)

Não apenas sobre líderes.

▪ Para produzir um evangelho confortável, sem cruz e sem busca

Buscar o Espírito exige oração, renúncia e entrega.

Jesus afirmou:

“Se alguém tem sede, venha a mim e beba.”

(João 7:37–38)

Sede espiritual não combina com acomodação.

5. Sem o Espírito Santo, a Igreja Perde Sua Essência

Sem o Espírito:

– não há ousadia

– não há temor verdadeiro

– não há obediência profunda

– não há iniciativa espiritual

– não há autoridade contra o pecado

Jesus foi direto:

“Sem mim nada podeis fazer.”

(João 15:5)

E hoje Ele opera por meio do Espírito Santo.

Confundir conversão com batismo no Espírito Santo não é apenas um equívoco teológico — é uma estratégia que esvazia a Igreja de poder, transforma crentes em espectadores e substitui o mover de Deus por estruturas humanas.

Aceitar Jesus gera salvação.

O batismo no Espírito gera transformação, ousadia e autoridade.

A Igreja não precisa de mais discursos.

Precisa do fogo do Espírito.

Como no Pentecostes.

Como em Atos.

Como Jesus prometeu.

Comentários

Postagens mais visitadas deste blog

CONHEÇA O PRESBÍTERO MARCOS BENEDITO - 05/08/2025 - REDE GOSPEL OFICIAL

Com mais de 20 anos de caminhada cristã, o Presbítero Marcos Benedito tem se dedicado com zelo à Palavra de Deus, à edificação da Igreja e ao ensino que transforma vidas.  Atuando nas áreas de louvor, ensino, visitas, discipulado e ministração da Palavra, seu ministério é marcado por amor, firmeza e sensibilidade espiritual. Em maio de 2005, foi batizado nas àguas. Em setembro do mesmo ano, completou sua formação na Academia Teológica da Graça de Deus (AGRADE). Esteve presente em diversos estados e cidades do Brasil e ainda em três continentes, visitando países como, México, Argentina, Chile, Espanha, Uruguay, Suiça entre outros e igrejas no interior paulista, na capital e no litoral. Chamado para a edificação da Igreja “Porque nós somos cooperadores de Deus; vós sois lavoura de Deus e edifício de Deus.” – 1 Coríntios 3:9 Ainda como diácono, Marcos Benedito manteve o foco principal no fortalecimento da Igreja do Senhor, ministrando mensagens que trazem exortação, consolo e edificaç...

Perseverança Ministerial em Meio à Oposição Eclesiástica - PRESBITERO MARCOS BENEDITO - REDE GOSPEL OFICIAL - 09/09/2025

Estou em uma igreja, onde em três anos, mesmo eu exercendo o chamado de Deus para o presbitério, me foram concedidas apenas três oportunidades para pregar! Uma igreja, onde eu fui proibido de fazer a ministração do louvor, alegando-se que o meu compromisso era o de cantar e não de levar uma mensagem durante a execução ou introdução ao louvor.  Uma igreja, onde ao propor ensinar as pessoas gratuitamente a tocar um instrumento, deparo-me com o impedimento das pessoas em utilizar os instrumentos própria igreja, alegando-se não terem autorização para isto.  Uma igreja, onde o grupo de louvor que eu liderava, teve as oportunidades para louvar reduzida de oito vezes, para apenas três, durante todo o mês, devido um Plano que não nos foi nem apresentado. Uma igreja que adotou um Planejamento, sem sequer me ser apresentado, alterando todo o plano de trabalho elaborado para o grupo dos varões.  Uma igreja que introduziu o ensino semanal denominado "Curso de Maturidade no Espírito",...

O que é Worship? Ou estilo musical Worship? - Por Melkih Washington de Oliveira- 09/10/2017

4 O termo  worship  é traduzido para o português como adorar ou  adoração . O termo passou a ser empregado nos últimos anos para designar um estilo musical e um estilo de culto nas igrejas evangélicas. Neste artigo vamos abordar algumas características do estilo musical. No artigo “ Worship Significado ” trazemos mais informações sobre a tradução e sinônimos. O que é? Como sempre aqui em nossas terras tupiniquins, onde já tínhamos a palavra adoração para definir o “estilo”, onde temos o costume de valorizar um pouco mais se for americanizado, abandonamos o termo em português e passamos a usar o termo Worship. O estilo não é novo, sua versão moderna tem seu inicio na década de 80 e desde então veio evoluindo, até que surgiu nos últimos 10 anos sua versão mais moderna, que chamamos de “estilo Worship” ou “Worship Music”, basicamente estamos falando de bandas que se espelham em grupos como Bethel Church, Desesperation Band, Elevation Worship, Centric Wor...