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QUANDO A IGREJA TROCA O ALTAR PELA ROTINA - Presbítero Marcos Benedito - Rede Gospel Oficial


“Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor.”

(Apocalipse 2:4)

Ao longo da história bíblica e da caminhada da Igreja, vemos um padrão que se repete: aquilo que nasce no fogo do Espírito, com o passar do tempo corre o risco de se transformar em tradição vazia.

Muitas igrejas começam cheias de vida, dependência de Deus, oração intensa e ousadia espiritual. Porém, aos poucos, podem entrar em um processo quase imperceptível de retrocesso: trocam o altar pela rotina, a presença de Deus pela organização, o mover do Espírito pela previsibilidade do culto.

Esse caminho geralmente segue uma sequência: movimento → instituição → acomodação.

E isso não é novo. A Bíblia está repleta de exemplos.

1. O retrocesso espiritual sempre começa no coração

Jesus foi direto ao falar com a igreja de Éfeso:

“Conheço as tuas obras, o teu trabalho árduo e a tua perseverança… tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor. Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e volta às primeiras obras.”

(Apocalipse 2:2–5)

Observe:

Eles tinham obras. Tinham organização. Tinham perseverança.

Mas perderam o essencial: o primeiro amor.

O retrocesso não começou na liturgia.

Começou no coração.

Assim também foi com Israel:

“O meu povo cometeu dois males: a mim me deixaram, o manancial de águas vivas, e cavaram cisternas rotas, que não retêm água.”

(Jeremias 2:13)

Trocaram a fonte viva por reservatórios rachados.

Sempre que a igreja deixa de depender diretamente de Deus, passa a viver de sistemas humanos.

2. Quando o mover vira método

No início da igreja primitiva, lemos:

“E perseveravam na doutrina dos apóstolos, na comunhão, no partir do pão e nas orações… E em cada alma havia temor, e muitos sinais e maravilhas eram feitos pelos apóstolos.”

(Atos 2:42–43)

E ainda:

“Todos os que criam estavam juntos e tinham tudo em comum.”

(Atos 2:44)

O poder não vinha da estrutura.

Vinha da comunhão, da oração e da presença do Espírito.

Mais tarde, Paulo alerta:

“A letra mata, mas o Espírito vivifica.”

(2 Coríntios 3:6)

Quando a igreja passa a funcionar apenas na “letra”, no protocolo e na agenda, sem vida espiritual, ela mantém a forma — mas perde o fogo.

Sansão é um exemplo claro disso:

“Ele não sabia que o Senhor já se tinha retirado dele.”

(Juízes 16:20)

Continuou se movendo como antes, mas a presença já não estava mais ali.

Esse é um dos maiores perigos: continuar fazendo culto, pregando, cantando — sem perceber que o Espírito foi entristecido.

3. O medo dos excessos gera o engessamento do Espírito

Muitas comunidades, após viverem exageros, escândalos ou erros doutrinários, tentam “corrigir” o caminho eliminando o espaço do Espírito.

Mas Paulo orienta:

“Não apagueis o Espírito.”

(1 Tessalonicenses 5:19)

E também:

“Onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade.”

(2 Coríntios 3:17)

Liberdade não é bagunça.

Mas controle excessivo também não é santidade.

Jesus confrontou líderes religiosos que tinham aparência de piedade, mas estavam vazios por dentro:

“Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim.”

(Mateus 15:8)

Eles tinham templo, liturgia e tradição — mas não tinham intimidade.

4. A busca por aceitação substitui a identidade espiritual

Em vez de agradar a Deus, muitas igrejas passam a buscar aceitação social.

Paulo advertiu:

“Porque virá tempo em que não suportarão a sã doutrina, mas, tendo coceira nos ouvidos, amontoarão para si mestres segundo as suas próprias vontades.”

(2 Timóteo 4:3)

E também declarou:

“Se eu ainda agradasse aos homens, não seria servo de Cristo.”

(Gálatas 1:10)

Quando a mensagem deixa de confrontar o pecado e passa apenas a motivar emoções, o púlpito vira palco — e o altar perde seu lugar.

Jesus nunca adaptou sua mensagem para manter multidões:

“Quem quiser vir após mim, negue-se a si mesmo, tome cada dia a sua cruz e siga-me.”

(Lucas 9:23)

Por isso muitos o deixaram (João 6:66).

Ele preferiu perder seguidores a perder a verdade.

5. O papel da liderança

A igreja sempre reflete seus líderes.

Provérbios declara:

“Onde não há visão, o povo perece.”

(Provérbios 29:18)

Se a liderança ora pouco, a igreja ora pouco.

Se evita confronto, a igreja se acomoda.

Se troca revelação por administração, a igreja vira empresa.

Deus disse a Josué:

“Nunca se aparte da tua boca o livro desta lei; antes medita nele dia e noite…”

(Josué 1:8)

Líderes são guardiões do altar.

Quando Davi pecou, toda a nação sofreu.

Quando Ezequias restaurou o culto, o povo voltou para Deus.

A direção espiritual começa no topo, mas se espalha por todo o corpo.

6. O papel dos obreiros e dos membros

Obreiros não são funcionários do sistema.

São cooperadores do Reino.

Paulo diz:

“Somos cooperadores de Deus.”

(1 Coríntios 3:9)

Quando obreiros se calam diante de desvios, protegem cargos ou deixam de interceder, passam a sustentar estruturas vazias.

E quanto aos membros:

“Sede praticantes da palavra, e não somente ouvintes.”

(Tiago 1:22)

Igreja não é plateia. É corpo.

Quando o povo prefere conforto a compromisso, espetáculo a santidade, a transição espiritual se consolida.

7. Como evitar esse retrocesso?

Não é mudando placa.

Não é modernizando apenas o visual.

Não é criando novos departamentos.

É voltando ao altar.

Jesus foi claro à igreja de Laodiceia:

“Conheço as tuas obras, que nem és frio nem quente… estou a ponto de vomitar-te da minha boca.”

(Apocalipse 3:15–16)

E em seguida oferece o caminho:

“Eis que estou à porta e bato; se alguém ouvir a minha voz e abrir a porta, entrarei…”

(Apocalipse 3:20)

O retorno começa com arrependimento.

Uma igreja entra em retrocesso quando troca:

presença por programação

dependência por controle

discipulado por crescimento numérico

altar por palco

cruz por conforto

E só se restaura quando decide voltar às primeiras obras.

Como disse o profeta Joel:

“Rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao Senhor vosso Deus.”

(Joel 2:13)

Ainda há tempo.

Enquanto Jesus estiver à porta, ainda existe esperança.

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