«"Irmãos, se alguém for surpreendido em alguma falta, vós, que sois espirituais, corrigi-o com espírito de mansidão; e guarda-te para que não sejas também tentado."
Gálatas 6:1»
A disciplina faz parte da vida da Igreja e, quando aplicada segundo as Escrituras, possui um objetivo muito claro: restaurar, reconciliar e fortalecer, jamais destruir pessoas.
Infelizmente, nem toda disciplina é conduzida de acordo com os princípios bíblicos. Há ocasiões em que decisões são tomadas de maneira precipitada, desproporcional, parcial ou sem a devida reflexão. Nesses casos, as consequências podem ser devastadoras.
A punição não atinge apenas um obreiro
Todo obreiro possui uma história, uma família e pessoas que caminham ao seu lado.
Quando um líder aplica uma punição de maneira irresponsável, sem avaliar suas consequências, não está atingindo apenas aquele que exerce um ministério.
Está atingindo também:
- o esposo ou a esposa;
- os filhos;
- os netos;
- parentes;
- amigos;
- e, muitas vezes, toda uma família que congrega unida.
O sofrimento de um membro da família rapidamente se espalha para todos os demais.
Muitas famílias deixam de frequentar os cultos não porque perderam a fé em Cristo, mas porque foram profundamente machucadas pela maneira como determinadas situações foram conduzidas.
«"Portanto, consolai-vos uns aos outros e edificai-vos uns aos outros."
1 Tessalonicenses 5:11»
A missão da Igreja é edificar, nunca provocar destruição desnecessária.
A disciplina existe para restaurar
O Senhor Jesus nunca tratou pessoas arrependidas com desprezo.
Pedro negou Jesus três vezes.
Humanamente falando, muitos o afastariam definitivamente do ministério.
Entretanto, após Sua ressurreição, Cristo fez exatamente o contrário.
Chamou Pedro para perto, restaurou sua comunhão e devolveu-lhe sua responsabilidade.
«"Apascenta as minhas ovelhas."
(João 21:15-17)»
A restauração venceu a condenação.
Esse continua sendo o modelo de Cristo para Sua Igreja.
Antes da punição deve existir um processo
Nenhuma decisão séria deveria ser tomada sem:
- oração;
- diálogo;
- oportunidade de defesa;
- aconselhamento;
- exortação;
- arrependimento;
- perdão;
- e busca sincera pela restauração.
Jesus ensinou esse princípio.
«"Se teu irmão pecar contra ti, vai e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão."
Mateus 18:15»
Observe que o objetivo não é perder um irmão.
É ganhá-lo novamente.
Uma decisão precipitada pode afastar famílias inteiras
Existem punições que não restauram.
Elas apenas humilham.
Ferem.
Constrangem.
Criam escândalos.
Produzem ressentimentos.
E, infelizmente, afastam famílias inteiras da comunhão da Igreja.
Muitas vezes, filhos deixam de congregar ao verem seus pais humilhados.
Esposas sofrem com o sofrimento do marido.
Maridos adoecem emocionalmente ao presenciarem a dor da esposa.
Netos crescem longe da igreja por causa de uma experiência traumática vivida por seus familiares.
Tudo isso poderia ser evitado quando a liderança age com prudência, misericórdia e temor de Deus.
A autoridade espiritual exige responsabilidade
A Bíblia ensina que quem lidera será julgado com maior rigor.
«"Meus irmãos, não sejam muitos de vocês mestres, pois vocês sabem que haveremos de receber maior juízo."
Tiago 3:1»
Autoridade espiritual nunca foi autorização para agir impulsivamente.
Ela exige:
- equilíbrio;
- imparcialidade;
- justiça;
- amor;
- misericórdia;
- responsabilidade.
O líder deve perguntar a si mesmo antes de qualquer decisão:
Esta disciplina vai restaurar ou destruir?
Estou protegendo a Igreja ou apenas impondo minha autoridade?
Estou agindo segundo Cristo ou segundo minhas emoções?
O Bom Pastor cura as feridas
Jesus declarou:
«"O Filho do Homem veio buscar e salvar o que se havia perdido."
Lucas 19:10

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