Imagine um funcionário da Coca-Cola entrando nas dependências da Pepsi-Cola. Lá, um conhecido começa a falar mal da empresa onde ele trabalha.
Imediatamente, ele reage:
— Eu sou funcionário da Coca-Cola. Ela paga o meu salário e garante o meu sustento. Não admito que você fale mal dela na minha frente!
Essa postura revela algo importante: identidade e pertencimento produzem posicionamento.
Enquanto aquele homem se reconhecia como funcionário da Coca-Cola, ele não precisava que seu chefe estivesse presente para defender aquilo a que pertencia. Sua postura era consequência do vínculo que possuía.
Mas imagine uma segunda situação.
Agora, esse mesmo homem foi demitido. Ele retorna à Pepsi-Cola e encontra novamente o mesmo conhecido, que começa a falar mal da Coca-Cola.
Desta vez, ele responde:
— Concordo com você. A Coca-Cola realmente não presta.
O que mudou?
A empresa mudou?
Não.
O relacionamento dele com a empresa mudou.
Quando havia vínculo, havia defesa. Quando o vínculo foi rompido, aquilo que antes ele defendia passou a ser desprezado.
E não é exatamente isso que acontece na nossa vida espiritual?
Existem pessoas que possuem uma verdadeira intimidade com Deus.
Elas não defendem apenas uma religião, uma placa de igreja ou uma tradição. Elas defendem aquilo que aprenderam a amar: a presença de Deus, a Palavra de Deus, os princípios do Evangelho e a vida em Cristo.
Quem tem intimidade com Deus desenvolve sensibilidade espiritual.
Não significa que essa pessoa seja perfeita. Significa que existe dentro dela um relacionamento que produz compromisso.
Quando alguém fala contra aquilo que Deus estabeleceu, ela sente.
Quando percebe que está se afastando da Palavra, ela se incomoda.
Quando peca, não consegue simplesmente tratar o pecado como algo normal.
Quando se distancia da presença de Deus, sente falta.
Porque quem tem intimidade não consegue viver indiferente.
O perigo da frieza espiritual
Por outro lado, existe aquele que um dia teve paixão pelas coisas de Deus, mas, pouco a pouco, foi se afastando.
Primeiro, deixou de orar.
Depois, deixou de estudar a Palavra.
Depois, começou a faltar aos cultos.
Depois, aquilo que antes incomodava já não incomoda mais.
O que antes era pecado passou a ser chamado de "normal".
O que antes era compromisso passou a ser considerado "fanatismo".
O que antes produzia lágrimas agora já não produz nenhuma reação.
E, lentamente, a pessoa continua dentro do ambiente religioso, mas seu coração já está distante.
Jesus fez uma advertência muito séria à igreja de Éfeso:
"Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor."
(Apocalipse 2:4)
Observe: Jesus não estava falando com pessoas que nunca haviam conhecido a Deus.
Ele estava falando com uma igreja.
Havia obras. Havia trabalho. Havia perseverança. Havia conhecimento.
Mas alguma coisa havia desaparecido:
o primeiro amor.
Intimidade produz fidelidade
Quem mantém intimidade com Deus não precisa ser fiscalizado o tempo inteiro.
A fidelidade nasce de dentro.
É semelhante ao filho que ama seu pai. Ele não precisa obedecer apenas porque o pai está olhando. Ele obedece porque existe relacionamento, amor e respeito.
Da mesma maneira, nossa vida com Deus não pode depender apenas de circunstâncias externas.
Não podemos ser crentes apenas quando estamos dentro da igreja.
Não podemos defender a Palavra somente quando estamos cercados por pessoas da fé.
Não podemos adorar somente quando tudo está dando certo.
Nossa identidade precisa permanecer a mesma na igreja, em casa, no trabalho, na rua e quando ninguém está olhando.
A grande pergunta
Talvez a questão mais importante não seja:
"Eu ainda estou na igreja?"
Mas:
"Eu ainda estou próximo de Deus?"
Porque é possível estar dentro de uma igreja e estar longe de Deus.
É possível cantar e não adorar.
É possível pregar e não viver aquilo que se prega.
É possível conhecer versículos e perder a intimidade.
É possível defender uma instituição e, ao mesmo tempo, estar distante daquele que é o centro da nossa fé: Jesus Cristo.
Por isso, precisamos examinar o nosso coração.
Como está a nossa intimidade com Deus?
Ainda existe fome pela Palavra?
Ainda existe prazer na oração?
Ainda existe desejo de estar na presença de Deus?
Ainda existe temor?
Ainda existe arrependimento quando pecamos?
Ainda existe disposição para obedecer mesmo quando ninguém está vendo?
Se essas coisas desapareceram, talvez seja hora de voltar.
Não deixe a distância transformar sua identidade
O homem da nossa analogia mudou sua postura porque mudou seu vínculo.
Na vida espiritual, algo semelhante pode acontecer.
Quando nos aproximamos de Deus, nossa visão muda.
Quando nos afastamos, nossa sensibilidade espiritual diminui.
Quanto mais próximos de Deus, mais desejamos agradá-lo.
Quanto mais distantes, mais facilmente começamos a relativizar aquilo que Ele estabeleceu.
Por isso, não permita que a frieza espiritual roube aquilo que Deus construiu em você.
Volte à oração.
Volte à Palavra.
Volte ao altar.
Volte à comunhão.
Volte à presença.
Não porque Deus tenha se afastado de você, mas porque talvez você tenha permitido que outras coisas ocupassem o lugar que pertencia somente a Ele.
Quem tem intimidade com Deus não apenas conhece Deus; vive para Deus.
E quem vive para Deus entende que sua fidelidade não depende das circunstâncias.
Nossa identidade está em Cristo. Nossa segurança está em Cristo. Nossa esperança está em Cristo. E nossa vida precisa permanecer em Cristo.

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