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A Astúcia da Serpente nos Dias Atuais - Por: Presbítero Marcos Benedito - Rede Gospel Oficial


Desde o Éden, a maior arma do inimigo nunca foi a força, mas a dissimulação. A serpente não atacou Eva frontalmente, não negou Deus abertamente e não se apresentou como adversária. Pelo contrário, ela se apresentou como alguém que parecia ajudar, esclarecer e expandir a compreensão espiritual.

“Ora, a serpente era mais astuta que todas as alimárias do campo…”

(Gênesis 3:1)

Essa mesma astúcia continua operando nos dias atuais, agora revestida de linguagem religiosa, cargos e discursos aparentemente espirituais. Uma das estratégias mais sutis do narcisismo espiritual é retirar pessoas do centro do serviço, do púlpito, da liderança ou do exercício do dom, não como punição declarada, mas como uma suposta promoção espiritual.

O discurso costuma soar assim:

“Não estou lhe tirando do púlpito nem da liderança dos varões como punição. Você não está no banco. Estou lhe retirando para que você possa expandir seu ministério. Aqui está muito pequeno para você. O seu ministério é grandioso, e eu estou apenas ajudando você.”

À primeira vista, a fala parece elogiosa. Na essência espiritual, porém, ela carrega o mesmo veneno do Éden: exaltação aparente que conduz à desobediência, ao isolamento e à esterilidade espiritual.

O elogio que afasta: a mesma lógica da serpente

A serpente não disse a Eva: “Desobedeça”. Ela disse, em essência:

“Vocês serão como Deus…” (Gn 3:5)

O narcisista espiritual age do mesmo modo. Ele não diz:

“Quero silenciar você”

“Seu dom me incomoda”

“Seu crescimento ameaça meu controle”

Ele diz:

“Você é grande demais para esse espaço”

“Aqui ficou pequeno para você”

“Estou te preparando para algo maior”

Mas o efeito é sempre o mesmo:

afastamento do convívio ministerial,

rompimento da comunhão,

interrupção do exercício do dom,

esfriamento espiritual,

e, muitas vezes, abandono do chamado.

Isso não é expansão — é deslocamento estratégico.

Satanás também oferece crescimento sem obediência

Essa estratégia já foi usada contra o próprio Cristo:

“Tudo isto te darei, se prostrado me adorares.”

(Mateus 4:9)

Era uma oferta de grandeza, visibilidade e autoridade — sem cruz, sem submissão e sem obediência ao Pai.

Da mesma forma, o narcisista espiritual oferece:

“expansão” sem comunhão,

“grandeza” sem serviço,

“promoção” sem altar,

“visão” sem submissão à Palavra.

Toda promessa de crescimento que exige afastamento do corpo, ruptura do serviço e silenciamento do dom não vem de Deus.

“Não deixando a nossa congregação, como é costume de alguns…”

(Hebreus 10:25)

O uso do cargo como instrumento de controle

Ao retirar alguém do púlpito ou da liderança com palavras suaves, o líder narcisista preserva sua imagem pública enquanto executa um ato de controle e neutralização. Ele usa o cargo como escudo, afirmando agir “em amor”, “em cuidado” ou “em visão espiritual”.

Jesus advertiu:

“Eles atam fardos pesados e difíceis de suportar, e os põem sobre os ombros dos homens…”

(Mateus 23:4)

Quando cargos são usados para:

interromper ministérios frutíferos,

dispersar famílias,

desestimular servos fiéis,

e gerar confusão espiritual,

já não se trata de liderança, mas de dominação.

O resultado: dispersão do rebanho e cooperação com o mal

O efeito final dessa estratégia é devastador. Pessoas sinceras se sentem “elogiadas”, mas ao mesmo tempo:

excluídas,

desorientadas,

feridas,

e espiritualmente enfraquecidas.

Cumpre-se, mais uma vez, o princípio bíblico:

“Ferirei o pastor, e as ovelhas se dispersarão.”

(Zacarias 13:7)

Jesus foi enfático:

“Ai do homem por quem vier o escândalo.”

(Mateus 18:7)

Desviar pessoas do caminho, mesmo sob aparência de cuidado pastoral, é cooperar com os intentos do inimigo.

Conclusão: discernir o elogio que mata o chamado

Nem todo elogio vem de Deus.

Nem toda “promoção” é espiritual.

Nem toda retirada é cuidado pastoral.

A serpente elogiou para derrubar.

Satanás prometeu grandeza para afastar da vontade do Pai.

E o narcisismo espiritual continua usando a mesma lógica.

“Pelos seus frutos os conhecereis.”

(Mateus 7:16)

Onde Deus levanta, Ele sustenta.

Onde Deus promove, Ele mantém no serviço.

Onde Deus chama, Ele não afasta do altar — Ele capacita para permanecer nele.

A igreja precisa recuperar o discernimento para identificar quando a astúcia antiga está apenas vestida de linguagem moderna, religiosa e aparentemente amorosa, mas continua produzindo o mesmo fruto de sempre: rebelião, divisão e afastamento do caminho deixado por Jesus.

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