Como incentivar o discipulado se eu não sou um bom exemplo a ser seguido? - Presbítero Marcos Benedito - Rede Gospel Oficial
O discipulado não começa no púlpito, nem no discurso bem elaborado. Ele começa na vida vivida, no testemunho diário, na coerência entre aquilo que se prega e aquilo que se pratica. Antes de perguntar “como discipular?”, o seguidor de Cristo precisa se perguntar: “quem estou refletindo?”
Jesus nunca chamou pessoas apenas para ouvi-Lo. Ele disse:
“Segue-me.” (Mateus 4:19)
Seguir implica caminhar junto, observar atitudes, aprender pelo exemplo. Por isso, o discipulado é essencialmente relacional e prático.
Discipulado é imitação, não apenas instrução
O apóstolo Paulo compreendeu isso profundamente quando declarou:
“Sede meus imitadores, como também eu sou de Cristo.”
(1 Coríntios 11:1)
Paulo não convidou aos irmãos a imitarem sua oratória, mas sua vida submetida a Cristo. Ele sabia que só podia ser referência porque sua referência maior era Jesus.
Quando um líder, um obreiro ou qualquer cristão vive uma fé incoerente, o discipulado se torna vazio, frágil e até nocivo. Não se pode conduzir alguém a um lugar onde nunca se esteve.
O ensino de Jesus: exemplo antes das palavras
Jesus foi extremamente claro sobre isso. Em uma de Suas advertências mais fortes, Ele disse:
“Por que me chamais Senhor, Senhor, e não fazeis o que eu vos mando?”
(Lucas 6:46)
E logo em seguida, Ele compara dois tipos de pessoas:
O que ouve e pratica, semelhante ao homem prudente que construiu a casa sobre a rocha.
O que ouve e não pratica, semelhante ao homem insensato que construiu sobre a areia. (Lucas 6:47–49)
Aqui está o ponto central do discipulado: prática. O discípulo aprende observando como o mestre reage, perdoa, serve, ora e enfrenta dificuldades.
Exemplos bíblicos de discipulado baseado em vida
Jesus e os doze
Jesus não apenas ensinou sobre oração; Ele orava.
Não apenas falou sobre compaixão; Ele tocou leprosos.
Não apenas pregou sobre serviço; Ele lavou os pés dos discípulos.
“Porque eu vos dei o exemplo, para que, como eu vos fiz, façais vós também.”
(João 13:15)
Timóteo e Paulo
Paulo discipulou Timóteo de perto, e por isso pôde exortá-lo dizendo:
“Tu, porém, tens seguido de perto a minha doutrina, modo de viver, propósito, fé, longanimidade, amor, perseverança.”
(2 Timóteo 3:10)
Observe: doutrina vem acompanhada de modo de viver. Uma coisa não existe sem a outra.
O perigo do discipulado sem exemplo
Jesus fez duras advertências contra líderes que ensinavam corretamente, mas viviam de forma contraditória:
“Fazei e guardai tudo quanto vos disserem; porém não os imiteis em suas obras, porque dizem e não fazem.”
(Mateus 23:3)
Esse tipo de liderança gera escândalo, frustração e afastamento da fé. Pessoas não abandonam o Evangelho; muitas vezes abandonam maus exemplos.
O verdadeiro discipulado começa no secreto
Antes de discipular alguém, é preciso ser discipulado por Cristo diariamente:
Na oração
Na Palavra
No arrependimento
Na humildade
Jesus afirmou:
“O discípulo não é superior ao seu mestre; mas todo o que for perfeito será como o seu mestre.”
(Lucas 6:40)
A pergunta final não é: quantos eu discipulo?
Mas sim: o quanto eu me pareço com o meu Mestre?
Conclusão
Discipulado não é discurso bonito.
Não é método.
Não é cargo.
Discipulado é vida.
É testemunho.
É exemplo.
Quando Cristo é visível em nós, o discipulado acontece naturalmente. Pessoas aprendem mais com o que veem do que com o que ouvem.
“Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai, que está nos céus.”
(Mateus 5:16)

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