A SÍNDROME DE SAUL NA IGREJA ATUAL - Por: Presbítero Marcos Benedito - Igreja Chama Viva do Jardim Real
A Bíblia nos apresenta Saul como o primeiro rei de Israel. Ele começou bem: foi escolhido por Deus, ungido por Samuel e capacitado pelo Espírito do Senhor. No entanto, ao longo do caminho, Saul passou a agir movido pelo medo, pela insegurança e pela necessidade de controle.
O que vemos hoje, infelizmente, é a repetição desse mesmo padrão dentro de muitas igrejas, ministérios e projetos ditos “espirituais”.
Chamaremos isso de Síndrome de Saul: quando a pessoa continua ocupando um lugar que Deus já retirou, insistindo em liderar algo que já perdeu a presença e a direção do Senhor.
1. Desobediência disfarçada de perseverança
Saul desobedeceu claramente às instruções de Deus, mas tentou justificar seus atos como se ainda estivesse fazendo a vontade divina.
“Porémo profeta Samuel disse: Tem porventura o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios, como em que se obedeça à palavra do Senhor? Eis que o obedecer é melhor do que o sacrificar.”
(1 Samuel 15:22)
Mesmo após a reprovação divina, Saul insistiu em permanecer no trono.
Isso acontece hoje quando líderes, pastores ou coordenadores:
continuam à frente de projetos já esvaziados espiritualmente;
não percebem que Deus já não está abençoando aquela obra;
confundem teimosia com fé.
A pessoa não quer aceitar que o tempo passou.
2. Não aceita o novo escolhido de Deus
Saul não conseguiu lidar com Davi. Em vez de reconhecer o agir de Deus na vida do jovem, passou a vê-lo como ameaça.
“E Saul olhava para Davi com maus olhos, desde aquele dia em diante.”
(1 Samuel 18:9)
Aqui nasce um dos sintomas mais graves da Síndrome de Saul: a perseguição de quem Deus levantou.
Em vez de abençoar, tenta bloquear.
Em vez de ensinar, tenta competir.
Em vez de preparar sucessores, tenta eliminá-los.
Isso se conecta diretamente com outro problema já tratado em textos anteriores: a insegurança de líderes que impede o crescimento da igreja.
3. Confunde posição com aprovação espiritual
Saul ainda era rei externamente, mas internamente já estava rejeitado por Deus.
“O Espírito do Senhor se retirou de Saul…”
(1 Samuel 16:14)
Muitos hoje continuam com título, cargo e microfone — mas sem unção, sem direção e sem vida espiritual.
É a perigosa ilusão de que estar no púlpito significa estar com Deus.
Não significa.
4. Tenta vestir os outros com a própria armadura
Quando Davi vai enfrentar Golias, Saul tenta colocá-lo dentro da sua armadura.
“Davi tentou andar, pois nunca a havia experimentado; então disse a Saul: Não posso andar com isto…”
(1 Samuel 17:39)
Saul tentou impor sua forma de lutar.
Isso representa líderes que tentam:
moldar todos à sua imagem;
sufocar dons diferentes;
impedir métodos novos;
padronizar aquilo que Deus fez diverso.
Cada chamado tem sua própria arma espiritual.
5. Não enfrenta o gigante — apenas observa o tempo passar
Saul viu Golias desafiar Israel por quarenta dias e nada fez.
“Durante quarenta dias o filisteu aproximou-se de manhã e à tarde.”
(1 Samuel 17:16)
Enquanto isso, Davi chegou e resolveu.
A Síndrome de Saul paralisa.
Faz o tempo passar.
Deixa os problemas crescerem.
Prefere administrar a crise do que vencê-la.
Já não ocorrem milagres, não há arrependimento, não liberam o perdão, não ocorre o batismo no Espírito Santo. A igreja virá uma obrigação imposta por homens, com suas regras, imposições, e não compromisso com Deus.
6. Quando entra quem não precisa mais da sua autorização
Davi não pediu permissão espiritual para agir — apenas se colocou à disposição de Deus.
“Quem é este incircunciso filisteu, para afrontar os exércitos do Deus vivo?”
(1 Samuel 17:26)
Quando alguém se levanta em fé verdadeira, o sistema de Saul se sente ameaçado.
Porque pessoas cheias de Deus não dependem de estruturas mortas.
7. Governa territórios perdidos e tenta usar o que já abandonou
Saul passou a perseguir Davi obsessivamente, enquanto o reino escorria por entre seus dedos.
“Porque o Senhor rasgou hoje de ti o reino de Israel…”
(1 Samuel 15:28)
Aqui entra uma verdade dura, mas necessária:
Para algumas pessoas, que agem como Saul, é preferível liderar e governar um projeto derrotado e totalmente destruído, do que aceitar que seu tempo já passou, que Deus não está no negócio, que Deus não está abençoando o seu projeto pessoal.
Elas preferem manter a aparência de poder do que se render à vontade de Deus.
8. A raiz de tudo: ignorância espiritual e rejeição da verdade
Tudo isso se conecta ao alerta do profeta Oséias:
“O meu povo foi destruído, porque lhe faltou o conhecimento…”
(Oséias 4:6)
E também à rejeição da verdade:
“Amaram mais a mentira do que a verdade.”
(2 Tessalonicenses 2:10)
Quando falta conhecimento bíblico, sobra manipulação.
Quando falta temor de Deus, cresce o controle humano.
Conclusão
A Síndrome de Saul não é apenas um problema histórico — é uma doença espiritual atual.
Ela se manifesta quando:
o ego fala mais alto que o Espírito;
o cargo vale mais que o chamado;
o controle substitui a confiança em Deus;
líderes preferem reinar sobre ruínas do que permitir que Deus levante novos Davi.
Mas Deus continua levantando pessoas segundo o Seu coração:
“Achei Davi, filho de Jessé, homem conforme o meu coração…”
(Atos 13:22)
O interesse pessoal de Saul
1. Preservar o próprio poder
O maior interesse de Saul era continuar no trono, mesmo depois de Deus já tê-lo rejeitado.
Quando Samuel anuncia que o reino seria tirado dele, Saul não se arrepende de verdade — ele apenas pede que sua imagem pública seja preservada:
“Então disse Saul: Pequei; honra-me, porém, agora diante dos anciãos do meu povo e diante de Israel…”
(1 Samuel 15:30)
Veja: ele não pede reconciliação com Deus.
Ele pede honra diante das pessoas.
O interesse era manter aparência de autoridade.
Isso se conecta diretamente ao que vemos hoje: gente que prefere manter cargo, púlpito ou título, mesmo sem presença de Deus.
2. Proteger sua reputação
Saul tinha pavor de perder prestígio.
Quando o povo começa a cantar:
“Saul matou milhares, porém Davi, dez milhares.”
(1 Samuel 18:7)
a Bíblia diz:
“Então Saul se indignou muito… e desde aquele dia passou a olhar Davi com maus olhos.”
(1 Samuel 18:8–9)
Aqui nasce a perseguição.
Saul não odiava Davi por causa de Davi.
Saul odiava Davi porque Davi revelava sua própria decadência.
Sempre que alguém cresce espiritualmente perto de um “Saul”, vira ameaça.
3. Manter controle sobre as pessoas
Saul queria centralizar tudo em si.
Ele não formou sucessores.
Não discipulou Davi.
Não celebrou novos dons.
Pelo contrário: tentou matar quem Deus levantou.
Isso revela um interesse claro: controle absoluto.
Lideranças com espírito de Saul não suportam gente forte ao lado.
Preferem gente dependente.
4. Usar Deus como ferramenta, não como Senhor
Saul consultava Deus apenas quando lhe convinha.
Quando Deus se cala, Saul recorre até à feiticeira:
“Consultai-me uma mulher que tenha espírito de adivinhação…”
(1 Samuel 28:7)
Isso é gravíssimo.
Mostra que Saul não queria obedecer a Deus — queria resultados.
Deus virou instrumento, não autoridade.
Isso ainda acontece: pessoas usam o nome de Deus para sustentar projetos pessoais.
5. Medo de perder posição
A raiz emocional de Saul era o medo.
Medo de perder o trono.
Medo de perder o respeito.
Medo de ser esquecido.
Por isso ele se apega a um reino que já não existia espiritualmente.
“Porque tu rejeitaste a palavra do Senhor, também Ele te rejeitou a ti.”
(1 Samuel 15:23)
Mas Saul se recusou a aceitar isso.
Em resumo: o que realmente movia Saul?
Não era zelo espiritual.
Não era amor pelo povo.
Não era compromisso com Deus.
Era:
✔ poder
✔ status
✔ reconhecimento
✔ controle
✔ medo de perder espaço
✔ preservação da própria imagem
Por isso ele preferiu governar ruínas a se arrepender.
Para algumas pessoas, que agem como Saul, é preferível liderar e governar um projeto derrotado e totalmente destruído, do que aceitar que seu tempo já passou, que Deus não está no negócio, que Deus não está abençoando o seu projeto pessoal, e que ele está sendo responsável pelo atraso e até o desânimo espiritual daquelas pessoas que ainda insistem em permanecer debaixo do seu jugo, e longe dos caminhos do Senhor!

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