A Bíblia reconhece a responsabilidade humana pelo pecado (Tiago 1:14), mas jamais nega, minimiza ou relativiza a atuação ativa e maligna de Satanás. Pelo contrário: as Escrituras apresentam o inimigo como agente constante de oposição direta à obra de Deus.
Satanás age para interromper e destruir a obra de Deus
Jesus foi absolutamente claro sobre o propósito do inimigo:
“O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir”
(João 10:10)
Isso não é metáfora genérica. É definição espiritual.
Desde o início, Satanás tenta interromper aquilo que Deus faz:
No Éden, enganou Eva para destruir a comunhão com Deus (Gênesis 3).
Em Jó, buscou destruir um homem íntegro, sua família e sua fé (Jó 1 e 2).
Em Israel, incitou Davi ao pecado para trazer juízo sobre o povo
“Satanás se levantou contra Israel e incitou Davi” (1 Crônicas 21:1).
A Bíblia não atribui isso a “fim de ciclo”.
Atribui a ação direta do inimigo.
Satanás usa pessoas, inclusive líderes
Outro erro grave é supor que Satanás só age “fora da igreja”. A Escritura mostra o contrário.
Jesus disse aos líderes religiosos de sua época:
“Vós sois do diabo, que é vosso pai, e quereis satisfazer os desejos dele”
(João 8:44)
Isso foi dito a homens religiosos, líderes e mestres da Lei.
Satanás também atuou por meio de autoridades políticas:
Herodes, movido pelo inimigo, tentou matar Jesus ainda criança (Mateus 2:16).
Judas Iscariotes, um dos doze, foi diretamente influenciado:
“Então Satanás entrou em Judas” (Lucas 22:3).
Até discípulos foram advertidos por Jesus
Talvez um dos textos mais fortes sobre esse tema seja a repreensão de Jesus a Pedro:
“Para trás de mim, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço”
(Mateus 16:23)
Pedro não era um ímpio. Era discípulo.
Mas, naquele momento, serviu de instrumento para uma ideia contrária ao plano de Deus.
Isso revela uma verdade desconfortável:
alguém pode amar a Deus e, ainda assim, ser usado pelo inimigo se não vigiar.
Falsos discursos e falsos líderes
Os apóstolos alertaram que Satanás age de forma sutil, dentro do ambiente religioso:
“Porque tais falsos apóstolos são obreiros fraudulentos”
(2 Coríntios 11:13)
“O próprio Satanás se transforma em anjo de luz”
(2 Coríntios 11:14)
Ou seja, nem todo discurso aparentemente equilibrado é espiritual.
Nem toda fala suave vem de Deus.
O erro da liderança que relativiza o inimigo
Quando líderes minimizam a atuação de Satanás:
enfraquecem a vigilância espiritual,
confundem o discernimento da igreja,
expõem o rebanho às ciladas do inimigo.
Pedro não disse para a igreja relaxar, mas alertou:
“Sede sóbrios e vigilantes, porque o diabo, vosso adversário, anda em derredor”
(1 Pedro 5:8)
Paulo não disse que o diabo é irrelevante:
“Não ignoramos os seus ardis”
(2 Coríntios 2:11)
E ainda:
“Revesti-vos de toda a armadura de Deus, para poderdes ficar firmes contra as astutas ciladas do diabo”
(Efésios 6:11)
Se não houvesse ataque real, não haveria armadura.
Discernimento não é negação da guerra
É verdade: nem tudo é o diabo.
Mas nem tudo é apenas humano.
Negar a existência da guerra espiritual não é maturidade — é imprudência.
Isentar Satanás de suas ações não é equilíbrio — é omissão.
A liderança bíblica:
assume responsabilidades humanas,
mas também reconhece o inimigo, alerta o povo e ensina a resistir.
“Sujeitai-vos a Deus, resisti ao diabo, e ele fugirá de vós”
(Tiago 4:7)
Negar a guerra espiritual não protege a igreja.
Silenciar sobre o inimigo não fortalece o rebanho.
Relativizar Satanás não glorifica a Deus.
A Igreja precisa de líderes vigilantes, bíblicos e corajosos, que não usem sua autoridade para suavizar aquilo que a Bíblia denuncia claramente.
Negar a guerra não traz paz.
Traz despreparo.

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