Vivemos dias em que muitos cristãos estão ocupados com atividades religiosas. Cantam, pregam, ensinam, evangelizam, lideram departamentos, participam de campanhas e trabalham intensamente dentro da igreja. Tudo isso é importante. Entretanto, existe um perigo silencioso que pode atingir qualquer servo de Deus: continuar fazendo a obra e, ao mesmo tempo, afastar-se daquele que é o Senhor da obra.
Foi exatamente isso que aconteceu com a igreja de Éfeso.
"Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência..." (Apocalipse 2:2)
Jesus começou elogiando aquela igreja. Ela trabalhava, perseverava e combatia os falsos ensinamentos. Porém, logo em seguida veio uma advertência que ecoa até os nossos dias:
"Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor." (Apocalipse 2:4)
A igreja continuava produzindo obras, mas havia perdido a essência. O amor por Cristo já não ocupava o mesmo lugar de antes.
O perigo da religiosidade sem relacionamento
Uma das passagens mais impactantes das Escrituras encontra-se em Mateus 7.
Jesus declarou:
"Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas?"
"E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade."
(Mateus 7:22-23)
Observe que essas pessoas não apresentaram pecados para justificar sua entrada no Reino dos Céus. Elas apresentaram obras.
Profetizaram.
Expulsaram demônios.
Realizaram milagres.
Entretanto, ouviram de Jesus uma frase assustadora:
"Nunca vos conheci."
O problema não estava na ausência de atividade religiosa, mas na ausência de intimidade com Deus.
Deus deseja relacionamento antes de desempenho
Desde o princípio, Deus nunca procurou apenas trabalhadores. Ele sempre buscou filhos.
Quando Adão pecou, Deus não perguntou sobre suas tarefas ou realizações.
Perguntou:
"Adão, onde estás?" (Gênesis 3:9)
O interesse de Deus sempre foi o relacionamento.
Da mesma forma, quando Jesus chamou os discípulos, não os chamou primeiramente para trabalhar.
Primeiro os chamou para estar com Ele.
"E nomeou doze para que estivessem com ele e os mandasse a pregar." (Marcos 3:14)
Antes da missão veio a comunhão.
Antes do serviço veio a intimidade.
Antes da obra veio o relacionamento.
Exemplos bíblicos de quem preservou a essência
📖 Maria e Marta
Enquanto Marta estava preocupada com muitos afazeres, Maria escolheu permanecer aos pés de Jesus.
"Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada." (Lucas 10:42)
Marta trabalhava para Jesus.
Maria estava com Jesus.
A obra é necessária, mas a presença de Cristo é indispensável.
📖 Davi
Davi foi rei, guerreiro, administrador e líder de uma nação.
Mas sua maior característica não foi sua capacidade de governar.
Foi seu coração voltado para Deus.
"Achei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração." (Atos 13:22)
Mesmo diante de falhas e pecados, Davi nunca perdeu o desejo de buscar a presença do Senhor.
📖 Paulo
Paulo realizou uma das maiores obras missionárias da história.
Mesmo assim, declarou:
"Considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor." (Filipenses 3:8)
Paulo compreendeu que conhecer Cristo era mais importante do que qualquer realização ministerial.
As boas obras são consequência, não a causa
A Bíblia ensina claramente:
"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus." (Efésios 2:8)
Mas logo em seguida afirma:
"Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras." (Efésios 2:10)
Primeiro vem a graça.
Depois vêm as obras.
Primeiro vem o relacionamento.
Depois vem o serviço.
Primeiro vem o amor.
Depois vem o trabalho.
Quando essa ordem é invertida, a essência é perdida.
O chamado de Jesus para a Igreja de hoje
A mesma voz que falou à igreja de Éfeso continua falando à Igreja atual:
"Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e pratica as primeiras obras." (Apocalipse 2:5)
Jesus não está procurando apenas pessoas ocupadas.
Ele procura pessoas apaixonadas por Sua presença.
Não basta cantar sobre Ele.
É preciso amá-Lo.
Não basta falar dEle.
É preciso conhecê-Lo.
Não basta trabalhar para Ele.
É preciso caminhar com Ele.
Conclusão
As obras impressionam os homens.
A intimidade agrada a Deus.
A religião pode produzir atividades.
Mas somente o amor produz comunhão.
Que jamais permitamos que a correria da obra substitua o prazer da presença de Deus.
Que nossas mãos continuem trabalhando, mas que nosso coração permaneça aos pés de Cristo.
Pois, no final, o mais importante não será aquilo que fizemos para Deus, mas se verdadeiramente O conhecemos e fomos conhecidos por Ele.
"Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor." (Apocalipse 2:4)
Que as obras permaneçam. Que a verdade permaneça. Que o zelo permaneça. Mas, acima de tudo, que o primeiro amor jamais seja perdido.

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