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A obra de Deus não pode substituir o Deus da obra - Por: Presbítero Marcos Benedito



Vivemos dias em que muitos cristãos estão ocupados com atividades religiosas. Cantam, pregam, ensinam, evangelizam, lideram departamentos, participam de campanhas e trabalham intensamente dentro da igreja. Tudo isso é importante. Entretanto, existe um perigo silencioso que pode atingir qualquer servo de Deus: continuar fazendo a obra e, ao mesmo tempo, afastar-se daquele que é o Senhor da obra.

Foi exatamente isso que aconteceu com a igreja de Éfeso.

"Conheço as tuas obras, e o teu trabalho, e a tua paciência..." (Apocalipse 2:2)

Jesus começou elogiando aquela igreja. Ela trabalhava, perseverava e combatia os falsos ensinamentos. Porém, logo em seguida veio uma advertência que ecoa até os nossos dias:

"Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor." (Apocalipse 2:4)

A igreja continuava produzindo obras, mas havia perdido a essência. O amor por Cristo já não ocupava o mesmo lugar de antes.

O perigo da religiosidade sem relacionamento

Uma das passagens mais impactantes das Escrituras encontra-se em Mateus 7.

Jesus declarou:

"Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos nós em teu nome? E em teu nome não expulsamos demônios? E em teu nome não fizemos muitas maravilhas?"

"E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniquidade."

(Mateus 7:22-23)

Observe que essas pessoas não apresentaram pecados para justificar sua entrada no Reino dos Céus. Elas apresentaram obras.

Profetizaram.

Expulsaram demônios.

Realizaram milagres.

Entretanto, ouviram de Jesus uma frase assustadora:

"Nunca vos conheci."

O problema não estava na ausência de atividade religiosa, mas na ausência de intimidade com Deus.

Deus deseja relacionamento antes de desempenho

Desde o princípio, Deus nunca procurou apenas trabalhadores. Ele sempre buscou filhos.

Quando Adão pecou, Deus não perguntou sobre suas tarefas ou realizações.

Perguntou:

"Adão, onde estás?" (Gênesis 3:9)

O interesse de Deus sempre foi o relacionamento.

Da mesma forma, quando Jesus chamou os discípulos, não os chamou primeiramente para trabalhar.

Primeiro os chamou para estar com Ele.

"E nomeou doze para que estivessem com ele e os mandasse a pregar." (Marcos 3:14)

Antes da missão veio a comunhão.

Antes do serviço veio a intimidade.

Antes da obra veio o relacionamento.

Exemplos bíblicos de quem preservou a essência

📖 Maria e Marta

Enquanto Marta estava preocupada com muitos afazeres, Maria escolheu permanecer aos pés de Jesus.

"Maria escolheu a boa parte, a qual não lhe será tirada." (Lucas 10:42)

Marta trabalhava para Jesus.

Maria estava com Jesus.

A obra é necessária, mas a presença de Cristo é indispensável.

📖 Davi

Davi foi rei, guerreiro, administrador e líder de uma nação.

Mas sua maior característica não foi sua capacidade de governar.

Foi seu coração voltado para Deus.

"Achei Davi, filho de Jessé, homem segundo o meu coração." (Atos 13:22)

Mesmo diante de falhas e pecados, Davi nunca perdeu o desejo de buscar a presença do Senhor.

📖 Paulo

Paulo realizou uma das maiores obras missionárias da história.

Mesmo assim, declarou:

"Considero tudo como perda, por causa da sublimidade do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor." (Filipenses 3:8)

Paulo compreendeu que conhecer Cristo era mais importante do que qualquer realização ministerial.

As boas obras são consequência, não a causa

A Bíblia ensina claramente:

"Porque pela graça sois salvos, por meio da fé; e isto não vem de vós; é dom de Deus." (Efésios 2:8)

Mas logo em seguida afirma:

"Porque somos feitura sua, criados em Cristo Jesus para as boas obras." (Efésios 2:10)

Primeiro vem a graça.

Depois vêm as obras.

Primeiro vem o relacionamento.

Depois vem o serviço.

Primeiro vem o amor.

Depois vem o trabalho.

Quando essa ordem é invertida, a essência é perdida.

O chamado de Jesus para a Igreja de hoje

A mesma voz que falou à igreja de Éfeso continua falando à Igreja atual:

"Lembra-te, pois, de onde caíste, arrepende-te e pratica as primeiras obras." (Apocalipse 2:5)

Jesus não está procurando apenas pessoas ocupadas.

Ele procura pessoas apaixonadas por Sua presença.

Não basta cantar sobre Ele.

É preciso amá-Lo.

Não basta falar dEle.

É preciso conhecê-Lo.

Não basta trabalhar para Ele.

É preciso caminhar com Ele.

Conclusão

As obras impressionam os homens.

A intimidade agrada a Deus.

A religião pode produzir atividades.

Mas somente o amor produz comunhão.

Que jamais permitamos que a correria da obra substitua o prazer da presença de Deus.

Que nossas mãos continuem trabalhando, mas que nosso coração permaneça aos pés de Cristo.

Pois, no final, o mais importante não será aquilo que fizemos para Deus, mas se verdadeiramente O conhecemos e fomos conhecidos por Ele.

"Tenho, porém, contra ti que deixaste o teu primeiro amor." (Apocalipse 2:4)

Que as obras permaneçam. Que a verdade permaneça. Que o zelo permaneça. Mas, acima de tudo, que o primeiro amor jamais seja perdido.

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