Com o passar do tempo, alguns líderes tornam-se tão acostumados à sua posição que passam a enxergar qualquer mudança como uma ameaça. Toda nova ideia, todo novo projeto, toda pessoa que demonstra potencial passa a ser vista com desconfiança.
Isso acontece porque o líder estagnado já não consegue produzir aquilo que produzia antes. Sua criatividade se esgotou. Sua visão foi limitada pelo comodismo. Sua coragem foi substituída pelo medo. Incapaz de construir algo novo, ele passa a impedir que outros construam.
Enquanto o Espírito Santo trabalha para gerar crescimento, ele trabalha para manter tudo exatamente como está.
Saul: o exemplo de um líder que teve medo de ser superado
Um dos maiores exemplos bíblicos dessa realidade é Saul.
Quando Davi começou a se destacar, Saul não se alegrou. Não enxergou um aliado. Não viu alguém que poderia fortalecer Israel. Pelo contrário, enxergou uma ameaça.
A Bíblia diz:
"Então Saul teve muito ciúme de Davi e, daquele dia em diante, o tinha em suspeita."
(1 Samuel 18:9)
O problema de Saul não era Davi.
O problema de Saul era sua insegurança.
Enquanto Davi vencia gigantes, Saul lutava contra seus próprios medos.
Enquanto Davi servia ao reino, Saul tentava preservar sua posição.
Chegou ao ponto de Saul gastar mais energia perseguindo Davi do que combatendo os inimigos de Israel.
Quantas lideranças ainda fazem a mesma coisa?
Ao invés de guerrearem contra os verdadeiros problemas, gastam seu tempo combatendo aqueles que poderiam ajudá-las.
O espírito de Diótrefes
Outro exemplo aparece em 3 João.
Falando sobre Diótrefes, o apóstolo João escreveu:
"Conheço as tuas obras, e falarei das que ele faz, proferindo contra nós palavras maliciosas; e, não contente com isto, não recebe os irmãos, impede os que querem recebê-los e os expulsa da igreja."
(3 João 1:10)
Observe o comportamento.
Ele não apenas rejeitava pessoas.
Ele impedia que outros as recebessem.
E quando alguém discordava dele, era afastado.
O problema não era doutrinário.
Era o desejo de controlar.
Era o desejo de permanecer no centro de tudo.
O Reino de Deus cresce pela multiplicação
O Reino de Deus nunca foi construído pela centralização.
Desde o princípio Deus trabalha através da multiplicação.
Jesus formou discípulos.
Os discípulos formaram outros discípulos.
O Evangelho cresceu porque foi compartilhado.
Jesus declarou:
"Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim também fará as obras que eu faço e as fará maiores do que estas."
(João 14:12)
Observe a grandeza desta declaração.
Jesus não teve medo de que seus discípulos crescessem.
Jesus não teve medo de levantar pessoas capazes.
Jesus não teve medo de compartilhar autoridade.
A liderança saudável não forma dependentes.
Forma sucessores.
Moisés e a alegria de ver outros sendo usados por Deus
Quando Eldade e Medade começaram a profetizar no arraial, Josué quis impedir.
Mas Moisés respondeu:
"Tens tu ciúmes por mim? Quem dera todo o povo do Senhor fosse profeta e que o Senhor pusesse o seu Espírito sobre ele!"
(Números 11:29)
Que diferença extraordinária!
Moisés não se sentiu ameaçado.
Moisés não viu concorrência.
Moisés não viu disputa.
Moisés viu Deus trabalhando.
O líder verdadeiro se alegra quando Deus usa outras pessoas.
O perigo de enterrar talentos
O líder inseguro costuma sufocar talentos.
Mas Jesus ensinou:
"Porque a qualquer que tiver será dado, e terá em abundância; mas ao que não tiver até o que tem lhe será tirado."
(Mateus 25:29)
A parábola dos talentos mostra que Deus espera crescimento, desenvolvimento e multiplicação.
Enterrar talentos nunca foi uma virtude.
Deus não nos chamou para preservar sementes.
Deus nos chamou para produzir frutos.
Onde não há visão, o povo sofre
A Escritura declara:
"Não havendo visão, o povo perece."
(Provérbios 29:18)
Quando uma liderança perde a visão, toda a comunidade sofre.
Os projetos desaparecem.
A evangelização diminui.
Os dons deixam de ser exercidos.
As pessoas perdem o entusiasmo.
O crescimento é substituído pela sobrevivência.
Tudo passa a girar em torno da manutenção da estrutura.
O líder que constrói muros e o líder que abre portas
Há líderes que abrem caminhos.
Há líderes que fecham caminhos.
Há líderes que promovem pessoas.
Há líderes que sufocam pessoas.
Há líderes que celebram o crescimento dos outros.
Há líderes que se sentem ameaçados pelo crescimento dos outros.
Jesus ensinou:
"Nisto é glorificado meu Pai: que deis muito fruto."
(João 15:8)
O objetivo de Deus nunca foi a estagnação.
O objetivo de Deus é o fruto.
Muito fruto.
O exemplo de João Batista
João Batista possuía milhares de seguidores.
Mesmo assim, quando Jesus começou a crescer, ele declarou:
"É necessário que ele cresça e que eu diminua."
(João 3:30)
Essa frase revela o coração de uma liderança saudável.
João não estava preocupado em preservar seu espaço.
Ele estava preocupado em cumprir sua missão.
Quem vive para o Reino não teme perder posição.
Quem vive para si mesmo teme qualquer mudança.
Conclusão
A maior ameaça para uma obra não é a falta de recursos.
Não é a falta de dinheiro.
Não é a falta de talentos.
A maior ameaça é quando o medo substitui a visão.
Quando a insegurança substitui a fé.
Quando a preservação da posição se torna mais importante do que o avanço do Reino.
Lideranças passam.
Posições passam.
Cargos passam.
Mas a obra de Deus continua.
Por isso, o verdadeiro líder não trabalha para ser indispensável.
Ele trabalha para multiplicar pessoas.
Ele não constrói um trono para si.
Ele constrói uma plataforma para que outros também cumpram o propósito de Deus.
Porque o Reino de Deus não foi criado para permanecer parado.
O Reino de Deus foi criado para crescer, avançar, multiplicar e produzir frutos para a glória do Senhor.
"Ide por todo o mundo, pregai o evangelho a toda criatura."
(Marcos 16:15)
Quem tenta impedir o crescimento da obra luta contra o próprio propósito de Deus.

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