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QUANDO A LIDERANÇA SE AFASTA DO EVANGELHO - Presbítero Marcos Benedito



Há momentos em que a igreja precisa parar e refletir.

Não sobre o mundo.

Não sobre os pecados dos de fora.

Mas sobre aquilo que está acontecendo dentro de suas próprias portas.

Jesus nunca teve dificuldade em confrontar pecadores arrependidos.

Sua maior oposição surgiu justamente daqueles que ocupavam posições de liderança religiosa.

Os fariseus conheciam as Escrituras.

Os escribas dominavam a teologia.

Mas muitos deles haviam perdido algo fundamental: o amor, a misericórdia, a justiça e a verdade.

Por isso Jesus declarou:

"Este povo honra-me com os lábios, mas o seu coração está longe de mim."

(Mateus 15:8)

Quando o Perdão é Pregado, Mas Não é Praticado

Como pode alguém ensinar sobre reconciliação e permanecer em guerra permanente com irmãos?

Como pode alguém ensinar sobre amor e cultivar rejeição?

Como pode alguém ensinar sobre unidade e promover divisões?

A Bíblia ensina:

"Suportando-vos uns aos outros e perdoando-vos uns aos outros."

(Colossenses 3:13)

O Evangelho não exige perfeição.

Mas exige disposição para perdoar.

Quando a liderança perde essa disposição, toda a igreja sofre as consequências.

Quando a Confiança Desaparece

Nenhuma igreja cresce apenas pela força de um homem.

Moisés precisou de auxiliares.

Davi precisou de guerreiros.

Paulo precisou de cooperadores.

Jesus escolheu discípulos.

A obra de Deus sempre foi construída através de pessoas.

Quando a desconfiança se transforma em método de governo, surgem o medo, a insegurança e o silêncio.

Muitos deixam de desenvolver seus dons.

Outros deixam de contribuir.

Alguns permanecem apenas por obrigação.

Mas poucos conseguem florescer espiritualmente.

Quando a Graça é Transformada em Permissão

Existe uma diferença entre anunciar a graça e banalizar o pecado.

Jesus morreu pelos nossos pecados.

Mas nunca ensinou que o arrependimento se tornou desnecessário.

Pelo contrário.

Sua primeira mensagem pública foi:

"Arrependei-vos, porque é chegado o Reino dos Céus."

(Mateus 4:17)

João escreveu aos cristãos:

"Se confessarmos os nossos pecados, ele é fiel e justo para nos perdoar."

(1 João 1:9)

Uma igreja que deixa de falar sobre arrependimento corre o risco de perder a sensibilidade espiritual.

Sem arrependimento não existe restauração.

Sem restauração não existe crescimento.

Sem crescimento sobra apenas religiosidade.

Quando a Disciplina Perde o Seu Propósito

A disciplina bíblica nunca foi criada para humilhar.

Nunca foi criada para eliminar pessoas.

Nunca foi criada para proteger posições de poder.

A disciplina bíblica foi criada para restaurar.

Paulo escreveu:

"Encaminhai o tal com espírito de mansidão."

(Gálatas 6:1)

Se alguém é afastado de uma função, a pergunta não deve ser apenas "qual foi o erro?"

A pergunta também deve ser:

Houve amor?

Houve diálogo?

Houve oportunidade de restauração?

Houve transparência?

Porque a justiça sem misericórdia produz feridas.

Mas a misericórdia sem verdade produz engano.

O Evangelho exige ambas.

O Perigo da Centralização

Toda vez que uma igreja passa a girar em torno da vontade de um homem, surge um perigo.

A igreja pertence a Cristo.

O púlpito pertence a Cristo.

Os dons pertencem a Cristo.

O rebanho pertence a Cristo.

Nenhum líder foi chamado para ser dono da igreja.

Todos foram chamados para ser servos.

Jesus declarou:

"Quem quiser ser o primeiro entre vós será vosso servo."

(Mateus 20:27)

Onde existe autoritarismo excessivo, a voz de Cristo pode acabar sendo substituída pela voz dos homens.

O Exemplo de Jó

Quando Deus falou sobre Jó, não exaltou seus títulos.

Não exaltou sua influência.

Não exaltou sua posição.

Deus exaltou sua integridade.

"Observaste tu a meu servo Jó? Porque ninguém há na terra semelhante a ele."

(Jó 1:8)

Deus continua procurando homens e mulheres íntegros.

Pessoas que falam a verdade.

Pessoas que praticam o que pregam.

Pessoas que não usam a fé para dominar, mas para servir.

A Pergunta Que Toda Igreja Deve Fazer

Estamos formando discípulos de Cristo?

Ou seguidores de homens?

Estamos ensinando a Palavra?

Ou apenas tradições humanas?

Estamos restaurando vidas?

Ou descartando pessoas?

Estamos promovendo unidade?

Ou fortalecendo divisões?

O dia virá em que todo líder, pastor, presbítero, diácono e membro estará diante do Tribunal de Cristo.

Nesse dia não haverá cargos.

Não haverá influência.

Não haverá justificativas humanas.

Haverá apenas a verdade.

E a pergunta mais importante não será:

"Qual posição você ocupou?"

Mas sim:

"O que você fez com as vidas que Eu coloquei em suas mãos?"

"Porque cada um de nós dará conta de si mesmo a Deus."

(Romanos 14:12)

Que a Igreja de Jesus tenha coragem de examinar a si mesma, corrigir seus caminhos e permanecer fiel ao Evangelho, custe o que custar.

Rede Gospel Oficial

"A verdadeira liderança não se mede pelo poder que exerce sobre as pessoas, mas pelo amor, pela justiça e pelo serviço prestado em nome de Cristo."

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