A maior tragédia acontece quando um homem passa a acreditar que a igreja pertence a ele.
Quando isso acontece, a visão do Reino desaparece e nasce um império pessoal.
A obra de Deus deixa de ser conduzida pelo Espírito Santo e passa a ser conduzida pelos interesses, medos, inseguranças e ambições humanas.
Aquele que deveria ser pastor transforma-se em controlador.
Aquele que deveria alimentar as ovelhas passa a utilizá-las.
Aquele que deveria libertar passa a aprisionar.
Aquele que deveria apontar para Cristo passa a apontar para si mesmo.
Jesus nunca chamou homens para serem proprietários do rebanho.
O próprio Senhor declarou:
"Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas." (João 10:11)
Observe que Jesus deu Sua vida pelas ovelhas.
Existem líderes que exigem que as ovelhas deem suas vidas por eles.
Cristo carregou a cruz.
Estes homens colocam a cruz sobre os ombros dos outros.
Jesus serviu.
Eles querem ser servidos.
Jesus lavou os pés dos discípulos.
Eles exigem que os discípulos lhes beijem as mãos.
O Reino de Deus é invertido por eles.
O servo quer ser rei.
O instrumento quer ocupar o lugar do Senhor.
O MEDO DE PERDER O CONTROLE
Existem líderes que vivem aterrorizados pela possibilidade de perder o controle.
Eles sabem que sua influência não está baseada no amor, mas na dependência que criaram.
Sabem que muitas pessoas permanecem ao seu redor não por convicção, mas por medo.
Não por respeito, mas por submissão.
Não por amor, mas por pressão.
Por isso, qualquer novidade representa uma ameaça.
Qualquer talento representa um perigo.
Qualquer pessoa capacitada representa um concorrente.
Qualquer iniciativa representa uma invasão de território.
Quando alguém começa a crescer, ele se incomoda.
Quando alguém começa a se destacar, ele se preocupa.
Quando alguém desenvolve conhecimento bíblico, ele se sente ameaçado.
Quando alguém demonstra capacidade de liderança, ele acende o sinal de alerta.
Porque seu objetivo não é formar líderes.
Seu objetivo é permanecer indispensável.
Mas a Bíblia ensina exatamente o contrário.
Moisés compreendeu que não poderia centralizar tudo em si.
Seu sogro Jetro lhe disse:
"Não é bom o que fazes. Sem dúvida, desfalecerás, assim tu como este povo que está contigo." (Êxodo 18:17-18)
O líder que centraliza tudo destrói a si mesmo e destrói o povo.
A FAMÍLIA MANTIDA PELO PODER DA POSIÇÃO
Existem líderes que utilizam a igreja para manter sua própria família sob controle.
Enquanto ocupam posição de destaque, conseguem reunir filhos, parentes e aliados ao seu redor.
Mas, no fundo, sabem que boa parte dessa unidade não é fruto de relacionamento saudável.
É fruto da estrutura de poder.
Sabem que, se um dia deixarem a liderança, muitos interesses ocultos aparecerão.
Filhos seguirão seus próprios caminhos.
Parentes buscarão seus próprios interesses.
Aliados procurarão outros referenciais.
Por isso, a igreja torna-se uma ferramenta de manutenção familiar.
O púlpito torna-se um instrumento de autoridade doméstica.
Mas Jesus ensinou:
"Quem ama o pai ou a mãe mais do que a mim não é digno de mim." (Mateus 10:37)
A igreja existe para glorificar Cristo.
Não para preservar dinastias familiares.
A PALAVRA DE DEUS TRANSFORMADA EM ARMA
Talvez o aspecto mais cruel seja quando a Palavra de Deus é utilizada como instrumento de manipulação.
A Bíblia foi dada para libertar.
Mas nas mãos erradas ela é utilizada para aprisionar.
Versículos são retirados do contexto.
Textos são distorcidos.
Ameaças espirituais são criadas.
Questionamentos são proibidos.
A consciência é violentada.
O medo substitui a fé.
A culpa substitui o arrependimento.
A submissão ao homem substitui a obediência a Deus.
Mas a Palavra declara:
"Porque a palavra de Deus é viva e eficaz." (Hebreus 4:12)
A Palavra não foi dada para sustentar impérios humanos.
Foi dada para revelar Cristo.
Quando um líder usa a Bíblia para proteger seus interesses pessoais, ele transforma remédio em veneno.
Transforma alimento em instrumento de controle.
Transforma libertação em cárcere.
A PRISÃO ESPIRITUAL
Pouco a pouco, a igreja deixa de ser um hospital espiritual.
Passa a ser uma prisão religiosa.
As pessoas param de sonhar.
Param de crescer.
Param de desenvolver seus dons.
Param de fazer perguntas.
Param de pensar.
Param de discernir.
Vivem apenas para obedecer.
Vivem apenas para agradar o líder.
Vivem apenas para manter uma estrutura que beneficia poucos e sufoca muitos.
Mas Deus não criou Seus filhos para viverem engaiolados.
Paulo escreveu:
"Para a liberdade foi que Cristo nos libertou." (Gálatas 5:1)
A liberdade em Cristo não significa rebeldia.
Significa maturidade.
Significa discernimento.
Significa relacionamento direto com Deus.
Significa poder ouvir a voz do Espírito Santo.
O EXEMPLO DE DIÓTREFES
A Bíblia apresenta um personagem extremamente atual.
Seu nome era Diotrefes.
João escreveu:
"Conheço as suas obras, pois ele gosta de exercer a primazia entre eles." (3 João 1:9)
Diotrefes não queria servir.
Queria mandar.
Não queria edificar.
Queria controlar.
Não queria receber irmãos.
Queria decidir quem seria aceito.
Seu coração estava contaminado pela sede de poder.
Infelizmente, o espírito de Diotrefes continua vivo em muitos ambientes religiosos.
CRISTO LIBERTA, O HOMEM APRISIONA
Onde Cristo governa existe liberdade.
Onde o homem quer ocupar o lugar de Cristo existe opressão.
Onde o Espírito Santo governa existe crescimento.
Onde o ego governa existe estagnação.
Onde Cristo reina, os dons florescem.
Onde o controle humano reina, os dons morrem.
Por isso Paulo declarou:
"Ora, o Senhor é Espírito; e onde está o Espírito do Senhor, aí há liberdade." (2 Coríntios 3:17)
A verdadeira liderança não tem medo de perder espaço.
A verdadeira liderança não teme sucessores.
A verdadeira liderança não monopoliza o conhecimento.
A verdadeira liderança não aprisiona talentos.
A verdadeira liderança forma outros líderes.
A verdadeira liderança celebra quando seus discípulos crescem.
A verdadeira liderança se alegra quando Cristo aparece mais do que ela.
João Batista resumiu o coração de todo verdadeiro servo de Deus:
"É necessário que Ele cresça e que eu diminua." (João 3:30)
Enquanto alguns lutam para crescer, o verdadeiro servo luta para que Cristo apareça.
Enquanto alguns constroem seus próprios reinos, o verdadeiro servo constrói o Reino de Deus.
E quando Cristo é o centro, a igreja deixa de ser uma prisão e volta a ser aquilo que Deus planejou:
Uma família.
Um refúgio.
Um hospital.
Uma escola espiritual.
Uma casa de liberdade.
Uma porta aberta para a eternidade.

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