Existem pecados que são facilmente percebidos pelos homens. Existem outros que permanecem escondidos no coração. O ódio é um deles.
Muitas pessoas frequentam cultos, cantam louvores, levantam as mãos, participam de campanhas, jejuns e vigílias, mas carregam dentro de si ressentimentos, mágoas e sentimentos de rejeição contra irmãos, familiares ou pessoas que um dia as feriram.
A Bíblia não trata esse assunto de forma superficial.
O apóstolo João escreveu uma das declarações mais fortes das Escrituras:
"Qualquer que odeia a seu irmão é homicida; e vós sabeis que nenhum homicida tem a vida eterna permanecendo nele."
(1 João 3:15)
Observe a profundidade desta afirmação.
Deus não está analisando apenas as atitudes externas. Ele está examinando aquilo que existe dentro do coração.
Enquanto os homens enxergam comportamentos, Deus vê intenções.
Enquanto os homens julgam aparências, Deus julga motivações.
Foi exatamente isso que Jesus ensinou quando declarou que não basta simplesmente não matar alguém. A ira, o desprezo e o ódio já revelam uma condição espiritual preocupante.
O ódio é um veneno que primeiro destrói quem o carrega.
Ele rouba a paz.
Ele impede a comunhão.
Ele bloqueia a sensibilidade espiritual.
Ele alimenta pensamentos de vingança.
Ele produz enfermidades emocionais.
E, principalmente, ele afasta o homem da essência do Evangelho.
O AMOR É A MAIOR EVIDÊNCIA DE QUE DEUS HABITA EM NÓS
Jesus não disse que o mundo conheceria Seus discípulos pelos cargos, pelos títulos ou pela posição que ocupam dentro da igreja.
Ele declarou:
"Nisto todos conhecerão que sois meus discípulos, se vos amardes uns aos outros."
(João 13:35)
O amor é a identidade do cristão.
Quem ama perdoa.
Quem ama suporta.
Quem ama intercede.
Quem ama deseja restauração.
Quem ama luta contra a própria natureza para agradar a Deus.
O amor não significa concordar com tudo.
O amor não significa aceitar injustiças.
O amor não significa aprovar erros.
Mas significa não permitir que a raiz da amargura transforme o coração em um terreno estéril para a ação do Espírito Santo.
SATANÁS SABE O PODER DA DIVISÃO
Desde o princípio, o adversário trabalha para dividir.
Ele dividiu famílias.
Dividiu amizades.
Dividiu povos.
Dividiu igrejas.
Ele sabe que uma igreja unida é uma ameaça ao reino das trevas.
Por isso, muitas vezes utiliza pequenas ofensas para produzir grandes separações.
Uma palavra mal interpretada.
Uma crítica.
Uma discordância.
Uma expectativa frustrada.
E aquilo que poderia ser resolvido através do diálogo transforma-se em ressentimento.
Depois em afastamento.
Depois em rejeição.
Depois em ódio.
E então a comunhão é destruída.
A CURA COMEÇA PELO PERDÃO
Perdoar não é dizer que a dor não existiu.
Perdoar não é esquecer automaticamente.
Perdoar é entregar a Deus o direito de julgar.
É abandonar o desejo de vingança.
É permitir que o Senhor trate as feridas da alma.
Muitas pessoas esperam sentir vontade de perdoar para então perdoar.
Mas na maioria das vezes acontece o contrário.
Primeiro vem a decisão.
Depois vem a cura.
Primeiro vem a obediência.
Depois vem a restauração.
UMA REFLEXÃO PARA A IGREJA
Existe alguém que você evita?
Existe alguém cujo nome incomoda você?
Existe alguém por quem você não consegue orar?
Existe alguém que você não gostaria de ver prosperar?
Se a resposta for sim, talvez seja o momento de levar essa situação ao altar de Deus.
O Evangelho não é apenas sobre vencer batalhas externas.
É também sobre vencer as guerras que acontecem dentro do coração.
Nenhuma vitória espiritual compensa um coração dominado pelo ódio.
Nenhuma posição na igreja substitui a necessidade do amor.
Nenhum conhecimento bíblico vale mais do que uma vida transformada pelo Espírito Santo.
Que Deus nos conceda um coração semelhante ao de Cristo, capaz de amar, perdoar e permanecer firme na verdade sem abrir espaço para a amargura.
Porque quem vence o ódio vence uma das maiores batalhas da vida cristã.
"Antes sede uns para com os outros benignos, misericordiosos, perdoando-vos uns aos outros, como também Deus vos perdoou em Cristo."
(Efésios 4:32)
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