Quem realmente governa esta igreja: Deus ou os homens?
A pergunta parece simples, mas sua resposta pode revelar muito sobre a saúde espiritual de uma comunidade.
A Igreja pertence a Cristo. Não pertence ao pastor, ao presbítero, ao dirigente, ao grupo de liderança, às famílias tradicionais, aos amigos mais próximos ou àqueles que possuem maior influência.
Cristo é o cabeça da Igreja.
E quando essa verdade deixa de ser apenas uma declaração teológica e passa a orientar a prática cotidiana, a igreja começa a funcionar de maneira completamente diferente.
UMA IGREJA QUE FUNCIONA
Uma igreja saudável não é aquela onde nunca existem problemas.
É aquela onde os problemas são tratados à luz da Palavra de Deus.
É uma igreja onde a liderança compreende que autoridade não é privilégio, mas responsabilidade.
Onde liderar significa servir.
Onde o louvor não é palco para apresentações pessoais, mas um verdadeiro ato de adoração.
Onde aqueles que ministram se dedicam, se preparam e compreendem a responsabilidade espiritual que possuem diante de Deus e da congregação.
É uma igreja onde a pregação está fundamentada nas Escrituras.
A Bíblia não é utilizada como uma "muleta" para justificar decisões que já foram tomadas por interesses pessoais.
Ao contrário: é a própria Palavra de Deus que confronta, corrige e orienta a igreja.
UMA IGREJA ONDE A ORDEM VALE PARA TODOS
A Bíblia ensina que tudo deve ser feito com decência e ordem.
Mas ordem não pode ser uma ferramenta utilizada seletivamente.
Não pode ser rigorosa para alguns e flexível para outros.
Não pode servir para punir quem incomoda e proteger quem pertence ao grupo de influência.
Se existe ordem, ela deve valer para todos.
Se existe disciplina, deve existir coerência.
Se existe respeito à liderança, também deve existir respeito aos membros.
A ordem cristã não pode ser instrumento de favorecimento.
UMA IGREJA SEM PANELINHAS
Onde existem panelinhas, a comunhão começa a morrer silenciosamente.
Alguns são sempre lembrados.
Outros são esquecidos.
Alguns recebem oportunidades.
Outros são constantemente ignorados.
Alguns são ouvidos.
Outros são tratados como se sua opinião não tivesse valor.
Com o tempo, o membro percebe que não está diante de uma comunidade onde todos possuem dignidade, mas diante de uma estrutura onde relacionamentos pessoais podem determinar o espaço que cada pessoa ocupa.
Isso produz feridas.
Produz desânimo.
Produz afastamento.
E, principalmente, destrói a confiança.
QUANDO O ESPÍRITO SANTO É CERCEADO
Existe outro perigo ainda mais grave: quando homens começam a tentar controlar aquilo que deveria estar sob a direção do Espírito Santo.
É preciso ordem, sim.
É preciso discernimento, sim.
Mas discernimento não significa controle humano.
Uma igreja saudável permite que o Espírito Santo opere, sem transformar a manifestação espiritual em propriedade de determinados homens.
O Espírito Santo não é subordinado às conveniências humanas.
Quando a preocupação passa a ser controlar pessoas, ministérios e manifestações em vez de buscar a vontade de Deus, a igreja corre o risco de manter apenas uma aparência de espiritualidade.
Pode existir culto.
Pode existir música.
Pode existir púlpito.
Pode existir programação.
Mas a pergunta continua sendo:
Deus está realmente conduzindo?
A PALAVRA NÃO PODE SER MANIPULADA
Talvez uma das maiores responsabilidades de uma igreja seja preservar a integridade das Escrituras.
A Bíblia não foi dada para legitimar nossos interesses.
Ela foi dada para transformar nossas vidas.
Por isso, o pregador não deve procurar um versículo para justificar aquilo que deseja fazer.
Ele deve permitir que a Palavra diga aquilo que precisa ser dito — inclusive quando a Palavra confronta a própria liderança.
Uma igreja madura não teme a Bíblia.
Ela permite que a Bíblia examine suas práticas.
Examine sua liderança.
Examine suas relações.
Examine sua administração.
Examine suas prioridades.
E, quando necessário, faça mudanças.
TRANSPARÊNCIA TAMBÉM É ESPIRITUALIDADE
Existe ainda uma questão que não deveria ser tratada como secundária: a prestação de contas.
Recursos financeiros, patrimônio, projetos e responsabilidades administrativas devem ser tratados com seriedade e transparência.
Prestação de contas não deveria ser entendida como desconfiança.
Transparência é responsabilidade.
Uma administração clara protege a igreja e protege aqueles que administram.
Quando tudo é tratado com honestidade, a confiança aumenta.
Quando informações são escondidas, surgem dúvidas.
Quando dúvidas não são esclarecidas, surgem suspeitas.
E quando suspeitas se acumulam, a comunhão é prejudicada.
QUANDO AS COISAS NÃO FUNCIONAM
Uma igreja pode continuar cheia mesmo quando existem problemas graves.
Pode continuar realizando cultos.
Pode continuar cantando.
Pode continuar pregando.
Pode continuar arrecadando recursos.
Pode continuar promovendo eventos.
Mas quantidade de atividades não significa necessariamente saúde espiritual.
Uma igreja pode estar movimentada e, ao mesmo tempo, espiritualmente doente.
Quando interesses pessoais dominam, as consequências aparecem.
Consequências espirituais
- Desânimo entre os membros;
- enfraquecimento da comunhão;
- perda da confiança;
- conflitos internos;
- esfriamento espiritual;
- afastamento de pessoas;
- enfraquecimento do testemunho cristão;
- dificuldade para exercer dons e ministérios;
- substituição da dependência de Deus pela dependência de estruturas humanas.
Consequências materiais
- Má utilização de recursos;
- perda de oportunidades;
- desperdício de talentos;
- redução da participação dos membros;
- conflitos administrativos;
- dificuldade para realizar projetos;
- perda de credibilidade;
- enfraquecimento da capacidade de cumprir a missão da igreja.
DEUS NÃO PROCURA UMA IGREJA PERFEITA
É importante compreender uma coisa:
Deus não espera encontrar uma igreja formada por pessoas perfeitas.
A igreja é composta por seres humanos.
Pessoas erram.
Líderes erram.
Membros erram.
Mas existe uma diferença fundamental entre errar e não admitir o erro.
Entre falhar e não querer corrigir.
Entre ser imperfeito e transformar a própria imperfeição em justificativa para permanecer no erro.
Uma igreja saudável é aquela que, quando percebe que está se afastando da vontade de Deus, tem humildade para voltar.
O QUE DEUS ESPERA?
Deus espera uma igreja onde:
a verdade seja maior que os interesses pessoais;
o serviço seja maior que o status;
a comunhão seja maior que as panelinhas;
a Palavra seja maior que as opiniões humanas;
o Espírito Santo tenha liberdade;
a liderança seja exercida com humildade;
o louvor seja verdadeira adoração;
a administração seja transparente;
e a vontade de Deus esteja acima da vontade dos homens.
UMA PERGUNTA QUE PRECISA SER RESPONDIDA
Talvez a pergunta mais importante que uma igreja possa fazer não seja:
"Nossa igreja está funcionando?"
Mas:
"Nossa igreja está funcionando de acordo com a vontade de Deus?"
Porque uma igreja pode funcionar administrativamente e estar falhando espiritualmente.
Pode ter organização e não ter justiça.
Pode ter música e não ter adoração.
Pode ter pregação e não ter compromisso com a verdade.
Pode ter liderança e não ter serviço.
Pode ter movimento e não ter transformação.
Pode ter muitos membros e pouca comunhão.
Pode ter recursos e pouca responsabilidade.
Pode ter aparência de poder e estar distante daquilo que Deus deseja.
QUANDO DEUS VOLTA AO CENTRO
Quando Deus volta ao centro, as prioridades começam a mudar.
O orgulho dá lugar à humildade.
A disputa dá lugar ao serviço.
O favorecimento dá lugar à justiça.
A manipulação dá lugar à submissão ao Espírito Santo.
A aparência dá lugar à verdade.
A competição dá lugar à cooperação.
E a igreja deixa de perguntar:
"Quem está ganhando?"
para perguntar:
"Deus está sendo glorificado?"
Esse deveria ser o objetivo.
Porque, no final, a Igreja não existe para exaltar homens.
Existe para glorificar a Deus.
"Porque dele, e por ele, e para ele são todas as coisas; glória, pois, a ele eternamente. Amém."
Romanos 11:36
PARA REFLETIR
Se Cristo é realmente o cabeça da Igreja, por que tantas vezes permitimos que interesses humanos determinem aquilo que deveria ser decidido diante de Deus?
Talvez seja hora de cada igreja, cada liderança e cada membro olhar para dentro de si e perguntar, com sinceridade:
Estamos construindo uma igreja para Deus ou uma estrutura para nós mesmos?
Quando Deus governa, o homem serve.
Quando o homem governa, Deus é colocado à margem.
A Igreja precisa voltar ao centro da sua própria razão de existir: JESUS CRISTO!

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